Como emitir nota fiscal eletrônica: guia completo atualizado para 2026

Como emitir nota fiscal eletrônica

Emitir nota fiscal eletrônica é uma realidade inescapável para qualquer negócio sério no Brasil. 

Se você ainda sente aquele incômodo ao pensar em documentação fiscal, saiba que não está sozinho: muitos empreendedores enfrentam essa dor constantemente. 

A boa notícia? Emitir nota fiscal eletrônica é muito mais simples do que parece, e com as mudanças regulatórias de 2025-2026 ficou ainda mais fácil.

A nota fiscal eletrônica (NF-e) é um documento fiscal com existência 100% digital que substitui os modelos em papel. Emitida através de um arquivo XML assinado digitalmente, ela registra operações comerciais (vendas de produtos ou prestação de serviços) e é transmitida automaticamente ao Fisco. 

Diferente da nota fiscal tradicional, é obrigatória para a maioria das empresas e microempreendedores, oferecendo segurança jurídica, rastreabilidade fiscal e integração automática com a Receita Federal.

Este artigo funciona como seu manual definitivo. Aqui você encontrará tudo o que precisa saber: desde os requisitos essenciais até o passo a passo prático, passando pelos softwares disponíveis, os erros mais perigosos e as mudanças que entram em vigência em 2026.

Guia de leitura

Por que emitir nota fiscal eletrônica em 2026?

A obrigatoriedade da NF-e varia conforme o enquadramento tributário, mas o cenário está se tornando cada vez mais abrangente. A partir de janeiro de 2026, algumas mudanças significativas entram em vigor:​

Regime Normal (Lucro Real e Presumido): Já emitem NF-e obrigatoriamente. A partir de janeiro de 2026, passam a informar os novos tributos IBS e CBS, que ganham valor jurídico.​

Simples Nacional e MEI: Continuam com emissão obrigatória, mas a inclusão do IBS/CBS só será exigida a partir de 2027.​

Nota Fiscal de Serviço (NFS-e): Torna-se obrigatória em padrão nacional a partir de janeiro de 2026, simplificando operações de empresas que atuam em múltiplos municípios.​

Na prática, isso significa que sua empresa precisa estar preparada agora. Esperar pode resultar em multas, rejeições de notas e até suspensão do CNPJ.

Requisitos obrigatórios para emitir nota fiscal eletrônica

Antes de colocar a mão na massa, você precisa cumprir alguns requisitos não-negociáveis. Pense neles como a “entrada” do processo.

1. Certificado digital válido

O certificado digital é a assinatura eletrônica da sua empresa. Sem ele, você não consegue assinar nenhum documento fiscal.​

Tipos disponíveis:

  • A1: Armazenado no computador, validade de 1 ano, ideal para emissão frequente​
  • A3: Em formato físico (token ou cartão), validade de até 3 anos, mais seguro​

Custos: Certificados para pessoa jurídica custam entre R$ 170 e R$ 600, dependendo da autoridade certificadora e da validade. Para MEI especificamente, a faixa é de R$ 170 a R$ 250.​

Onde obter: Junto a autoridades certificadoras credenciadas pela ICP-Brasil, como Caixa Econômica Federal, Serasa ou Receita Federal.​

2. CNPJ ativo e regularizado

Sua empresa precisa estar registrada na Receita Federal com CNPJ ativo. Verifique se há alguma pendência ou irregularidade cadastral junto à Junta Comercial e aos órgãos estaduais.​

3. Credenciamento junto à SEFAZ

A Secretaria da Fazenda (SEFAZ) do seu estado autoriza quem pode emitir NF-e. Este credenciamento geralmente é feito:

  • Pelo portal e-Fazenda ou similar do seu estado;
  • Sem necessidade de documentos presenciais (processo 100% online);
  • Com resposta em poucos dias úteis.​

4. Software/Emissor de NF-e autorizado

Você precisa de uma ferramenta para gerar as notas. As opções variam bastante em funcionalidades e custo.​

5. Acesso à internet estável

Não é possível emitir NF-e sem conexão, pois a transmissão ao servidor da SEFAZ é em tempo real.​

Tipos de nota fiscal eletrônica: qual usar?

Um erro frequente é usar o tipo errado de nota. Cada operação exige um modelo específico.

TipoUsoDocumentação ICMSCrédito de ImpostoPúblico
NF-e (Modelo 55)Circulação de mercadorias entre empresas ou indústria; operações interestaduaisSimSim, para compradores contribuintesPessoa Jurídica
NFS-ePrestação de serviços; emitida junto à prefeituraNão (baseado em ISS)NãoAutônomos, profissionais liberais, prestadores
NFC-e (Modelo 65)Vendas no varejo ao consumidor finalNão obrigatórioNão, pois consumidor final não é contribuinteConsumidor direto
NFA (Nota Fiscal Avulsa)Emissão eventual para quem não tem credenciamento; operações específicasSimSimMEI, produtores rurais (situações especiais)

Dica prática: Se você vende para consumidor final numa loja, use NFC-e. Se vende para outra empresa (B2B), use NF-e. Se presta serviço, use NFS-e.

Passo a passo: como emitir nota fiscal eletrônica

Agora vem a parte que você realmente quer: o processo prático.

Etapa 1: Preparar os dados essenciais

Antes de tocar em qualquer software, organize todas as informações:

Dados do seu negócio (emissor):

  • Razão social e nome fantasia
  • CNPJ
  • Inscrição Estadual (IE)
  • Endereço completo
  • Regime tributário (Simples, Lucro Real, Lucro Presumido, MEI)​

Dados do cliente (destinatário):

  • Nome completo ou razão social
  • CPF ou CNPJ
  • Inscrição Estadual (se aplicável)
  • Endereço completo​

Dados dos produtos/serviços:

  • Descrição detalhada
  • Quantidade
  • Valor unitário
  • Código de classificação (NCM para produtos, código de serviço para NFS-e)​
  • Código fiscal da operação (CFOP)​

Revisar uma segunda vez antes de iniciar a emissão. Dados incorretos são a causa número um de rejeição.​

Etapa 2: Escolher o software emissor

A escolha do emissor depende do seu volume de operações e orçamento.

TipoCustoVantagensLimitações
Gratuito (SEBRAE/SEFAZ)R$ 0Sem mensalidades; funcionalidades básicas; acesso universalSem suporte técnico formal; sem cálculo automático de impostos; interface simples; falta integração com outros sistemas​
Pago (nuvem/SaaS)R$ 50–500/mêsSuporte técnico; cálculo automático; integração com estoque e financeiro; emissão rápida (3x mais veloz que gratuito); envio automático de e-mail; relatórios​Investimento mensal; pode ter limite de notas por plano
ERP completoR$ 200–2000/mêsEmissão integrada a toda operação; automação fiscal avançada; compatível com reformas tributárias futurasInvestimento elevado; melhor para empresas maiores

Recomendação para iniciantes: Comece com o emissor gratuito do SEBRAE. Se crescer e a operação ficar tediosa, migre para um pago.

Etapa 3: Realizar o credenciamento na SEFAZ

  1. Acesse o portal do seu estado (encontre em 
  2. www.nfe.io
  3.  ou portal específico);
  4. Faça login com seu certificado digital;
  5. Preencha o formulário de credenciamento;
  6. Aguarde a aprovação (geralmente 2–5 dias úteis);
  7. Receba a confirmação por e-mail.​

Etapa 4: Emitir a nota na prática

Dentro do software emissor (usando SEBRAE como referência):​​

  1. Acesse o sistema com suas credenciais de login
  2. Selecione “Emitir Nova NF-e” ou opção equivalente
  3. Preencha dados do prestador (sua empresa) e data da operação
  4. Insira dados do cliente: nome, CPF/CNPJ, endereço, IE (se houver)
  5. Descreva o produto ou serviço com clareza; seja específico
  6. Informe os valores: quantidade, preço unitário, valor total
  7. Configure a tributação: CFOP, NCM (se produto), CST, alíquotas ICMS/ISS
  8. Revise tudo: Uma última verificação evita rejeições
  9. Clique em “Emitir” ou “Finalizar”
  10. Baixe o arquivo XML e a representação em PDF (DANFE)
  11. Envie para o cliente por e-mail ou WhatsApp

O processo todo leva entre 2 a 10 minutos na primeira vez. Com prática, reduz para 1–2 minutos.​​

Softwares e emissores recomendados em 2026

Conheça a seguir os principais softwares e emissores recomendados em 2026 para emitir nota fiscal eletrônica.

Gratuitos

  • SEBRAE Emissor: Sistema oficial do SEBRAE, sem custo, ideal para MEI e microempresas​​
  • Emissor SEFAZ de cada estado: Alguns estados oferecem versões próprias
  • Portal Nacional de NFS-e (gov.br): Para serviços (a partir de 2026)​

Pagos com melhor custo-benefício

  • Bling: A partir de R$ 75/mês, com integração de estoque​
  • Asaas: Integra emissão, recebimento e gestão financeira
  • Nuve: Focado em MEI e pequenas empresas
  • Sistema já utilizado pela empresa: Se você usa um ERP, geralmente já possui módulo fiscal integrado

Dica: Muitos softwares oferecem período de teste gratuito (30 dias). Use esse tempo para escolher.​

Custos e investimentos: quanto realmente custa?

Vamos colocar números na mesa para você fazer o cálculo de ROI.

ItemInvestimento InicialCusto RecorrenteValidade/Frequência
Certificado Digital A1R$ 170–250R$ 170–250Anualmente
Certificado Digital A3R$ 300–600Renovação a cada 3 anosA cada 3 anos
Software Gratuito (SEBRAE)R$ 0R$ 0Permanente
Software Pago (SaaS)R$ 0R$ 50–200/mêsMensal
ERP Fiscal CompletoR$ 0–2000R$ 200–2000/mêsMensal
Treinamento/ConsultoriaR$ 200–1000OpcionalConforme necessário

Custo mínimo mensal: R$ 0 (se usar gratuito + reutilizar certificado do ano anterior)
Custo típico PME: R$ 50–150/mês (software pago básico + renovação de certificado diluída)

Erros críticos que resultam em multas e rejeições

Segundo a Receita Federal e secretarias estaduais, estes são os vilões:

1. Dados incompletos ou incorretos

Erro: Preencher CNPJ errado do cliente, CEP incorreto ou omitir inscrição estadual.
Consequência: Rejeição imediata pela SEFAZ; nota não tem validade.​
Como evitar: Revise os dados do cliente duas vezes antes de transmitir. Mantenha um banco de dados atualizado.

2. CFOP inadequado (Código Fiscal de Operações)

Erro: Usar CFOP de “operação interna” em uma venda interestadual.
Consequência: Tributação incorreta; possível glosa de crédito de ICMS pelo cliente; multa de até 150% do ICMS devido.​
Como evitar: Valide o CFOP conforme o tipo de operação (interna, interestadual, devolução, etc.). Consulte o manual de CFOP se tiver dúvida.

3. Código de classificação de produto (NCM) errado

Erro: Informar NCM de eletrônico para um produto químico.
Consequência: Alíquota ICMS incorreta; rejeição ou multa posterior.​
Como evitar: Use a tabela NCM oficial do governo (pesquise por “NCM consulta”). Alguns emissores possuem banco de dados integrado.

4. Omissão de tributos obrigatórios

Erro: Não informar CST (Código de Situação Tributária) ou CSOSN (para Simples).
Consequência: Rejeição pela SEFAZ; impossibilidade de usar crédito fiscal.​
Como evitar: Familiarize-se com a tributação do seu regime (Simples, Lucro Real, etc.). Muitos softwares pagos preenchem automaticamente.

5. Numeração sequencial incorreta ou duplicada

Erro: Emitir duas notas com o mesmo número; pular números.
Consequência: Rejeição; multa por falta de sequência.​
Como evitar: Use sempre o software emissor (ele controla a sequência automaticamente). Nunca emita nota manualmente.

6. Certificado digital expirado ou inválido

Erro: Tentar emitir com certificado vencido há 3 meses.
Consequência: Nenhuma nota é aceita; operação paralisada.​
Como evitar: Monitore a validade do seu certificado. Renove 30 dias antes do vencimento.

7. Cadastro desatualizado na SEFAZ

Erro: Sua IE mudou, ou você abriu nova filial, mas não comunicou à Secretaria da Fazenda.
Consequência: Notas rejeitadas; inconsistências que bloqueiam operações futuras.​
Como evitar: Sempre que houver mudança cadastral (razão social, endereço, atividade econômica), comunique à SEFAZ imediatamente.

O que muda a partir de janeiro de 2026?

A Reforma Tributária do Consumo (IBS e CBS) impacta a emissão de notas. Aqui está o que você precisa saber:

Para Regime Normal (Lucro Real/Presumido):

A partir de 1º de janeiro de 2026, as NF-e e NFC-e precisam incluir os campos de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Esses tributos ganham valor jurídico, ou seja, não são mais opcionais.​

O que você deve fazer agora:

  • Verifique se seu software emissor já está atualizado para a Nota Técnica 2025.002​
  • Treine sua equipe nos novos campos
  • Faça testes em homologação a partir de novembro/dezembro de 2025

Para Simples Nacional e MEI:

Até 2026, a obrigatoriedade do IBS/CBS fica para 2027. Ou seja, você continua emitindo normalmente por enquanto.​

Para NFS-e (Serviços):

A partir de janeiro de 2026, a NFS-e em padrão nacional torna-se obrigatória em todos os municípios. Isso reduz custos para empresas que atuam em vários estados/cidades.​

Perguntas Frequentes sobre como emitir nota fiscal eletrônica

Confira a seguir as dúvidas mais comuns sobre como emitir nota fiscal eletrônica

P: É obrigatório emitir NF-e? Quem está dispensado?

Sim, para a maioria das operações. Estão dispensados: pequenos produtores rurais em certos casos, vendedores ocasionais (mediante NFA), e algumas operações específicas. MEI obrigatoriamente emite. Consulte sua SEFAZ para situações especiais.​

P: Posso emitir NF-e sem certificado digital?

Não. O certificado é obrigatório por lei para assinar digitalmente a nota. Sem ele, é impossível cumprir a exigência fiscal. A única alternativa é a Nota Fiscal Avulsa, mas com limitações.​

P: Qual é o prazo para emitir a nota após a venda?

A NF-e deve ser emitida na mesma data da operação comercial (dia da venda ou serviço prestado). Emitir com data retroativa (dias depois) é irregularidade fiscal.​

P: Minha nota foi rejeitada. O que fazer?

Verifique a mensagem de erro retornada pela SEFAZ. Os softwares mostram qual campo está errado. Corrija e reemita. Se continuar rejeitando, contate o suporte técnico ou a SEFAZ do seu estado.​

P: Quanto tempo leva para a SEFAZ autorizar a nota?

Geralmente segundos a minutos. Se ultrapassar 1 hora sem resposta, há problema de conectividade ou sistema da SEFAZ sobrecarregado. Refaça a transmissão.​

P: Qual é a multa se emitir NF-e com erro?

Depende do erro. Erros pequenos (digitação) podem não resultar em multa se corrigidos via Carta de Correção. Erros graves (CFOP errado, NCM errado) resultam em multas de 75% a 150% do valor do imposto devido. Não pague imposto errado.​

P: Preciso emitir nota fiscal para operações em contingência (sem internet)?

Sim. Você pode emitir Nota Fiscal de Contingência (NFC-e com código CSC) manualmente e depois transmitir quando a internet voltar. O software orienta este processo.​

Conclusão

Emitir nota fiscal eletrônica é um processo que exige atenção, mas está ao alcance de qualquer empreendedor. Os requisitos são claros: certificado digital, CNPJ, credenciamento e um software. Os erros são evitáveis com cuidado ao preencher dados e revisão antes de transmitir.

O cenário de 2026 traz mudanças (IBS/CBS), mas nada que assuste quem já opera regularmente. Softwares confiáveis já estão se atualizando. O importante é você estar preparado.

Sua ação agora:

  1. Se ainda não possui certificado digital, adquira um (R$ 170–250, válido por 1 ano)
  2. Se não está credenciado na SEFAZ, faça o cadastramento em poucos minutos
  3. Escolha um software (gratuito ou pago) e teste em homologação
  4. Emita sua primeira nota de teste para ganhar confiança
  5. A partir daí, integre ao seu fluxo de vendas

Dúvidas persistem? Procure a SEFAZ do seu estado ou um consultor fiscal. O investimento em clareza fiscal é o melhor investimento para a saúde do seu negócio.